Um dos maiores articuladores da União do Tocantins, o deputado federal Eduardo Gomes (PSDB) tem sido um nome atuante também no cenário nacional, lembrado constantemente como um dos principais mentores da campanha de seu partido à presidência da República. No Tocantins, o deputado mantém uma postura discreta, mas decisiva, quando o assunto são os rumos da UT.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Stylo, o deputado falou sobre a sucessão para o Governo do Estado e, sobre a possibilidade de ser ou não candidato pelo seu grupo, disse que não tem essa pretensão, mas que está à disposição da União do Tocantins. “Mas tudo isso só pode ocorrer depois de uma longa discussão e de um ajuste entre as lideranças que entendam que o meu nome pode agregar na chapa majoritária”, enfatizou.
Confira a entrevista:
Jornal Stylo – O ex-governador Siqueira Campos (PSDB) já firmou que só pretende entrar na disputa pelo mandato tampão caso a eleição seja direta. Assim, a União do Tocantins pretende lançar um candidato para essa eleição caso o ex-governador Siqueira Campos (PSDB) se abstenha de participar? Ou existe possibilidade do bloco ficar fora da disputa?
Eduardo Gomes – Sobre a decisão do ex-governador Siqueira Campos, que já afirmou que só pretende entrar na disputa pelo mandato tampão caso a eleição seja direta, essa também é a nossa opinião. Nós entendemos que há um erro formal em deliberar a eleição indireta, que é um instrumento atrasado, que prejudica a democracia, que não consolida compromissos dos candidatos com a população tocantinense. Portanto, nesse ponto em especial, a gente acompanha a decisão do governador Siqueira Campos, porque afinal de contas tudo isso está ocorrendo porque houve uma provocação sobre o processo eleitoral na Justiça, porque a eleição foi fraudada.
Ora, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou por 7 votos a zero que a eleição foi fraudada. Portanto, o normal seria ou a posse do segundo colocado, ou a eleição livre e direta com aquele que tiver as melhores condições governando o Estado a partir da vontade popular. Defendo a eleição livre, direta e democrática.
Jornal Stylo – E existe possibilidade de que este o nome da UT seja o seu?
Eduardo Gomes – Não tenho essa pretensão. Estou desenvolvendo o mandato de deputado federal com a crescente parceria com os municípios, pretendo ainda ficar um bom tempo desenvolvendo o trabalho no Poder Legislativo. Portanto, sou candidato à reeleição, é o que querem os prefeitos e os líderes que têm sustentado o nosso mandato. Ou, eventualmente, dependendo da composição da chapa majoritária, pleitear uma vaga ao Senado.
Mas tudo isso só pode ocorrer depois de uma longa discussão e de um ajuste entre as lideranças que entendam que o meu nome pode agregar na chapa majoritária.
Jornal Stylo – Aliás, falando em modalidade de eleição, que tipo de disputa você defende: direta ou indireta? Você ainda acredita na possibilidade de que a ação movida na Justiça consiga mudar o formato dessa eleição?
Eduardo Gomes – Defendo a eleição livre, direta e democrática. Acredito (em uma eleição direta) porque, na Justiça, enquanto existe um instrumento de revisão da sentença, ele pode ter modificação. Senão ele não existiria. Se você tem o julgamento do agravo, isso quer dizer que o agravo pode ou não ser acatado. Realmente, ficou uma decisão que no seu resultado total é incoerente com a condução do processo, já que o relator pediu eleição direta, o presidente do TSE pediu eleição direta e o Ministério Público pediu eleição direta. É uma decisão, na minha opinião, que tem um conflito interno muito grande. Ela tem um conflito interno considerável.
Jornal Stylo – O senador João Ribeiro (PR), mesmo integrando a União do Tocantins, tem mantido uma grande proximidade com o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT). Nacionalmente, entretanto, o PSDB, partido ao qual você pertence, e o PT são velhos opositores. Como está sendo tratada essa situação?
Eduardo Gomes – O que eu entendo é que o senador João Ribeiro está fazendo é apoiando a cidade de Palmas como faz com todas as cidades. São duas coisas distintas. Quando perguntam sobre a minha proximidade com o senador João Ribeiro, ela é completa, nós temos um trabalho muito firme nos municípios, trabalhamos juntos nas eleições de prefeito e ele tem o nosso apoio incondicional porque é um político que tem feito um grande trabalho nas bases, nos municípios tocantinenses e isso deixa a gente muito satisfeito.
Com relação ao prefeito Raul Filho, até eu mesmo tenho feito um trabalho de apoio à sua administração, sem perder a condição de, a todo momento que posso, tecer críticas construtivas, porque afinal de contas a eleição passou, nós disputamos a eleição com o prefeito Raul Filho, ele venceu as eleições, foi reeleito, mas Palmas precisa ter uma continuidade no seu crescimento e até retomar um caminho de crescimento que foi perdido ao longo do tempo por falta de apoio do governo do Estado, por diminuição dos seus recursos na transferência dos recursos Federais, que é a questão do FPM, e nós estamos lutando para recuperar o FPM de Palmas.
Essa é uma causa que não é só do prefeito Raul Filho, a gente tem que pensar na cidade nos próximos 20 anos e é uma luta que todos os políticos devem encarar de frente. Eu estou fazendo a minha parte, porque afinal de contas tenho domicílio eleitoral em Palmas, fui vereador e presidente da Câmara, e tenho responsabilidade com a cidade. Então é muito mais uma questão de apoio administrativo do que aliança política. Não acredito nessa aliança, que ela surja naturalmente. Acho que isso ainda vai ser fruto de muita discussão.
Jornal Stylo – O prazo para filiações de novos nomes, com potencial para serem lançados candidatos a algum cargo em 2010, termina no próximo mês de outubro. Os partidos que compõem a UT vão fazer um trabalho especial para recrutar novos nomes nesse período?
Eu já estou trabalhando. O PSDB tem um candidato forte à presidência da República: será o governador José Serra ou o governador Aécio Neves. Todos os dois lideram as pesquisas quando confrontados com o nome da ministra Dilma Rousseff. Acredito piamente que o PSDB volta ao poder em 2010, portanto o PSDB de Tocantins deve ter até o mês de outubro um bom número de filiados, de novos filiados. Além de termos uma situação favorável no plano nacional, também é do nosso partido a liderança que aponta melhor condições nas pesquisa eleitorais no Tocantins, que é o governador Siqueira Campos.
É natural que o partido cresça, e a gente quer crescer com qualidade, não cometendo os erros do passado, convidando pessoas bem intencionadas, e que queiram participar e colocar o seu nome à disposição do PSDB para a disputada.
Jornal Stylo – Sua avaliação da situação atual do Estado é…
O Estado realmente vive um momento em que a população precisa acordar. Não só os seus políticos, mas também os seus empresários, funcionários públicos, as instituições como o Ministério Público, procuradorias, e clubes de serviços, porque existe uma operação muito descontrolada de setores do governo que praticam a política da terra arrasada. Estão tentando, a todo custo, promover nos próximos dias um esvaziamento das condições de administração do Estado: são contratos de última hora, são medidas de última hora, de um governo que já está no fim, que já acabou há muito tempo, e a população precisa estar atenta para os prejuízos que esses últimos momentos podem causar ao futuro do Estado do Tocantins.
Portanto, sugeri que a sociedade se organize através de um portal, já que hoje em dia a própria tecnologia permite isso, e vamos abrir um portal de acompanhamento da situação do Estado. De acompanhamento e para colher as informações. Se você sabe de alguma coisa que está ocorrendo no Estado fora dos padrões, e que vem dessa avalanche de medidas açodadas que o governo vem tomando de final de governo. É importante denunciar, é importante confiar nas instituições, passas essas informações ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público Estadual. Eu tenho certeza que você estará prestando um grande serviço ao Estado do Tocantins. Portanto a população tem que ter esperança, fé, e tem que estar vigilante para esses próximos momentos no Estado. Senão, quando a gente acordar, nem a água do lago vai estar no lugar, do jeito que está nos últimos dias, pelos rumores que a gente tem ouvido na cidade de Palmas e no Estado do Tocantins. (Colaboração: Maurílio Ricardo)(Matéria Publicada no Jornal Stylo em 05/08/2009)
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